Transparência Brasil

Máfia dos Combustíveis

Folha de S. Paulo (SP) - 11/07/2006

Peemedebista nega envolvimento

Da Redação

A presença do nome Zaqueu Teixeira numa matéria não significa necessariamente que essa pessoa ou empresa esteja envolvida em algum caso como acusada de corrupção, mas apenas que é mencionada.

Preste atenção em possíveis homonimias: verifique pelo contexto da notícia se o nome mencionado no texto corresponde realmente ao que está sendo procurado, e não a outra pessoa ou empresa com o mesmo nome.

O ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho (PMDB) negou ontem qualquer envolvimento com a máfia dos combustíveis. De acordo com reportagem do Correio publicada nessa segunda-feira, escutas telefônicas gravadas pela Polícia Federal para investigar o esquema de corrupção levantaria a suspeita. Conversas entre lobistas e policiais presos e condenados por manter ligações com o grupo fazem referências a bastidores de reunião entre o então governador Garotinho, o ex-chefe de Polícia Civil do Rio Álvaro Lins na gestão do peemedebista, e o conselheiro do Tribunal de Contas José Nader. No encontro, teria sido negociada uma concessão especial para isentar de impostos uma distribuidora de combustíveis. Ainda de acordo com a matéria, o suposto benefício teria sido respaldado pela Resolução nº 6.488, publicada no Diário Oficial do estado no dia 10 de setembro de 2002. "Gravações envolvem Garotinho… crime organizado… pelo amor de Deus, não sou bandido", afirmou ontem o ex-governador. Confira, a seguir, os principais trechos da entrevista:

O senhor participou de reunião na qual seria negociada uma concessão especial para isentar de impostos uma distribuidora de combustível, como consta nas conversas de envolvidos com a máfia dos combustíveis?

Não.

Mas há referências a seu nome nas gravações realizadas pela Polícia Federal?

Por que motivos eu teria ligação com esse Cipriano (Geraldo Cipriano, ex-comandante do Corpo de Bombeiros do Rio, que faz menção a Garotinho nas escutas), que foi secretário de Defesa Civil da Benedita? Eu não conheço Rildo e Luizinho (nas escutas da PF o bombeiro Rildo Soares e o lobista Luizinho, que se identificou ao Correio como Luiz Matheus, conversam sobre a reunião na qual seria negociada a concessão especial para uma distribuidora de combustível).

A que o senhor, então, atribui essas citações?

Levanto duas suspeitas. A primeira, como fala aqui do Álvaro Lins, ex-chefe de Polícia Civil do meu governo, e o ex-chefe de Polícia Civil da Benedita da Silva, o delegado Zaqueu Teixeira, também é candidato, eles estão disputando voto dentro da polícia; e o Zaqueu trabalhou na Secretaria Nacional de Segurança, a quem a Polícia Federal é vinculada, pode ser uma briga nessa linha, que eu não tenho nada a ver com isso. A outra é que alguém que se sentiu prejudicado pelo fim do decreto assinado pela Benedita da Silva. A tal Resolução nº 6.488.

E a Resolução nº 6.488?

A resolução, de fato aconteceu, mas ela foi assinada em 10 de setembro de 2002. Naquela data, a governadora era a Benedita da Silva. Eu tinha renunciado ao governo para me candidatar à Presidência da República. Eu não assinei resolução nenhuma, quem assinou foi a Benedita.



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